A Vida é o que dela fazemos. E, mais do que uma propriedade a ser defendida, a existência é um tesouro a ser partilhado, repartido.
Não nos devemos contentar jamais com o que somos, se queremos chegar ao que ainda não somos. Arquitetos do nosso destino presente e futuro, Deus nos dá graças necessárias para passar pelos caminhos do existir fazendo o bem, solidários com nossos irmãos peregrinos.
Obstáculos, percalços e contrariedades tecem a rotina diária de todos os seres humanos no imenso palco da vida. Seria mais confortável nossa frágil existência se eles não existissem? Talvez.
Por outro lado, sem os rochedos: as ondas do mar não subiriam tão alto. Com jeito de muro imbatível, a rocha joga as águas para cima, no instante da colisão, do embate.
Onde há crise e desafios, existe vida. E a vida se faz luminosa, quando banhada pela fé, quando embebida de esperança.
Viver é buscar caminhos, errando, acertando, corrigindo, emendando, repetindo, insistindo, retrocedendo, avançando. Peregrinar é estar a caminho. Vocação acertada, futuro feliz. Encontrar o nosso caminho, único e insubstituível, eis a questão, o grande desafio.
Dentro dos planos eternos do Criador, o mundo deveria ser uma afinada orquestra, uma gigantesca sinfonia universal regida pelos ditames do amor. No centro de cada experiência de fraternidade que o homem esboça e realiza, Deus está presente. E o Reino cresce, reluz, amplia-se. Por outro lado, cada violência praticada, cada gesto egoísta e desumano emitido, representam uma nota desafinada na sinfonia.
Muitos milagres deixam de acontecer em nossa vida e jornada, porque nos deixamos guiar pelo barulho ensurdecedor do mundo das evidências.
A foto foi tirada no ano de 1993, no Sudão (numa área que hoje pertence ao Sudão do Sul). Na época, o país estava arrasado por uma longa guerra civil.
Kevin Carter, um premiado fotojornalista sul-africano, estava se preparando para fotografar uma criança faminta tentando chegar a um centro de alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU), próximo à aldeia de Ayod, quando um abutre-de-capuz apareceu nas proximidades.
João Silva, um fotojornalista português que mora na África do Sul r que acompanhou Carter no Sudão, relatou que os oficiais da ONU lhe disseram que iriam parar por 30 minutos (o tempo necessário para distribuir alimentos), de modo que os dois aproveitaram para olhar ao redor e tirar fotos.
Homens e mulheres da aldeia saiam de suas cabanas e iam até o avião da ONU para receber as doações de alimentos. Neste curto período, as crianças, muitas vezes, ficavam sozinhas. Esta era a situação do menino registrado na foto de Carter. Um abutre então pousou atrás do garoto. Para ter os dois foco, Carter se aproximou da cena muito lentamente para não assustar a ave e tirou uma foto a aproximadamente 10 metros de distância. Ele então tirou mais algumas fotos antes de espantar o pássaro.
Vendida para o The New York, Times, a fotografia foi publicada pela primeira vez em 26 de março de 1993 e foi repassada para muitos outros jornais ao redor do mundo. Em 1994 a imagem ganhou o Prêmio Pulitzer de fotografia Especial.
Carter foi muito criticado por não ajudar o menino. O jornal ST. Petersburgo Times, da Florida, disse sobre Carter: "O homem ajustando suas lentes para capturar o enquadramento exato daquele sofrimento poderia muito bem ser um predador, outro urubu na cena".
Dois fotógrafos espanhóis que estavam na mesma área naquela época, José Maria Luís Arenzana e Luís Dávila, e que não conheciam a fotografia de Kevin Carter, também tiraram uma foto em situação similar. Mas Carter foi o único a ser massacrado pela opinião pública e a imprensa.
Com as críticas, Carter entrou em depressão e pouco mais de um ano depois da foto, dirigiu até o córrego Bloemfontein Split, em Joanesburgo, e tirou a própria vida, colocando uma das extremidades de uma mangueira no escapamento de sua caminhonete e a outra na janela do lado do passageiro. Ele morreu por intoxicação por monóxido de carbono, aos 33anos de idade.
Trechos da sua carta de suicídio mostram como ele se sentia: "Eu sinto muito. A dor da vida ultrapassa a alegria ao ponto em que a alegria não existe... deprimido... Estou assombrado pelas vívidas memórias de mortes e cadáveres e raiva e dor... de crianças famintas ou feridas, de loucos com dedo no gatilho, muitas vezes policiais, carrascos, assassinos... Fui juntar-me ao Ken (Ken Oosterbroek, seu colga fotógrafo que havia falecido recentemente) e se tiver tamanha sorte".
Nota: O menino da foto era Kong Nyong, que estava sofrendo de má nutrição severa na época, mas já tinha começado a receber ajuda da ONU. Na foto, é possível ver a pulseira de identificação da entidade no braço da criança. E, ao contrário do que muitos pensavam, ele não morreu na época da foto. Segundo seu pai, Kong morreu adulto em 2006, devido a uma febre.
Kevin Carter foi o primeiro a fotografar uma execução pública necklacing um tipo de execução e tortura praticada ao colocar um pneu de borracha, cheio de gasolina, em torno do peito e dos braços da vítima, e depois atear fogo.
O BARULHO ESTRIDENTE E ENSURDECEDOR DO MUNDO E SUAS PANTOMIMAS PODEM GERAR UM VAZIO EXISTENCIAL DE PROPORÇÕES DEVASTADORAS.
E, O VAZIO EXISTENCIAL LEVA A DEPRESSÃO!
Quando não conseguimos assimilar de pronto determinadas adversidades que fatalmente nos advém de forma tempestuosa e inesperada, ficamos perdidos e sem norte.
Quando isto ocorre, ficamos com a nítida impressão de que fomos lançados em um poço sem fim. O medo, o desespero e um pavor inexplicável nos arrastam em uma queda vertiginosa,
Por que nos comportamos desta forma?
Porque, na maioria das vezes, nos permitimos conduzir pelo barulho estridente e ensurdecedor do mundo das evidências e suas pantomimas.
Quando você começa a perceber, que seus conflitos existenciais estão formando um imenso vazio no interior do teu ser, isso é um sinal de que você precisa ficar por um tempo recluso dentro de si, para se conhecer melhor, para reavaliar a qualidade e a profundidade dos sentimentos que verdadeiramente pulsam nos emaranhados do teu ser.
Nessa busca do autoconhecimento você deve ser sincero, verdadeiro e real consigo mesmo. Porque pensamentos medíocres, emoções negativas, convicções esdruxulas e ideias de segunda mão, não passam de ervas daninhas e espinhos pontiagudos que ferem a alma, e retardam consequentemente a nossa evolução espiritual.
No mundo barulhento das evidências, corremos o risco da total fascinação por uma Pseudo- realidade.
Vida, sem a morte e sem a alegria de viver, seria uma caricatura de vida. Não temos apenas o direito à alegria, mas o dever da alegria. Temos apenas o direito de lutar contra o sofrimento, a miséria, a opressão e a morte, mas o dever de travar esse diálogo para alcançar a vitória. Mas a única vitória que podemos ter contra a morte é que ela não nos impeça de amar a vida.
Nunca estaremos sozinhos.
Quando todos saem de cena, Deus continua conosco.












